Prelúdio De Uma Tempestade




Lá fora dá para sentir o geladinho da baixa temperatura. E o céu sobre nossas cabeças é chamado, por alguém que não conheço, de "tela em branco", uma tela prestes a ser preenchida com ventos, raios, e etc. Que só agora está branco.
Mas que de pouquinho em pouquinho ganha pinceladas, ganha camadas sobre camadas de cinza. Que de tanto receber cinza, vira preto. Um céu preto. Ainda que esteja claro lá fora.
Então, linhas douradas começam a cruzar a tela em branco que um dia já foi o céu azul. Linhas em constante movimento, tão rápido passam que quase não é possível registrar sua passagem.

E enquanto vemos raios serem pincelados e apagados, uma água que machuca começa a sair do céu. Tão forte que leva árvores, casas e traz o mar para onde era terra. E sopra forte.
A tela ganhou vida. E traz o barquinho solitário que navega nas águas abaixo dela. Até que tudo vira uma coisa só. Água no mar, e água no céu. Fazendo esforço para trazer o barquinho, um ponto de cor dentro do branco que virou a bagunça que o artista pintou porque estava triste, e porque queria entrar no mar.

Água, raios, ventos e baleias rodam sobre o vórtice que o artista continua a tentar registrar. Até que tudo para, e a tempestade vira garoa. Que cai sobre a terra devastada. Deixa a chuva cair, mon amour. E embarca no seu barquinho de papel rumo ao oceano.
Porque a tela está em branco novamente.


- to be continued...

2 comentários:

  1. Que texto legal, Anne! Me deixou com saudade dos dias lendo Drácula :)
    Fiquei nostálgica <3

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    1. eu também tenho saudades dos dias lendo Drácula, aquele foi o segundo melhor clube do livro de que participei <3
      [ninguém ganha do Infinistante, hehe]

      =**********

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