Quase Uma Aeromoça



Durante muitos anos de minha vida eu quis ser uma comissária de bordo [ou aeromoça, como a profissão era conhecida em seus tempos de glória] . Aí estudei o assunto, estudei, estudei e virei fotografa. 
Mas acho que o conhecimento que adquiri não foi de todo perdido...



O auge da profissão, vejam bem, se deu lá pelos anos 60. 
E você não precisava se matar para pagar o curso [hoje caríssimo], porque as próprias companhias aéreas iam atrás de candidatas, inclusive com anúncios na televisão.
* foi assim que uma de minhas professoras se tornou aeromoça da VARIG



E era tudo muito concorrido. A relação candidato/vaga nos EUA chegava a ser de 3000 para 1.
Mas também fofucho, se você conseguisse a vaga, sua vida estava garantida.
As empresas, além de pagar seu curso, também te davam: casa, lavanderia, serviços de beleza como manicure e etc na faixa. Tudo de primeira qualidade.




Só que nem tudo eram flores na Golden Age. Na mesma medida que as empresas davam, elas também exigiam.
Você não poderia, por exemplo, engordar e nem se casar. E a expectativa de tempo de emprego era muito baixa [as aeromoças só poderiam trabalhar até os 32 anos, depois eram obrigadas a se aposentar].

E as exigências com o visual, vejam bem, eram extremamente rigorosas.


Na Pan Am por exemplo, todas deveriam ter um corte de cabelo no máximo até o ombro, e estar usando sempre meia-calça [sem um fio fora do lugar] e cinta. E o uniforme também era igual para todas as aeromoças. 
Os saltos eram sempre do mesmo tamanho e a maquiagem também era padrão [batom e esmalte Persian Melon, da Revlon]. 

Sim, a Pan Am era muito exigente. Mas suas garotas eram consideradas na época as mulheres mais desejadas do mundo, mais ainda que as estrelas de Hollywood. Sem contar que ser uma aeromoça da Pan Am te abria varias portas.


Hoje, bem, a história é só história.
Você é comissária de bordo e chegou de um voo de 14 horas? Então você mesma vai lavar seu uniforme na pia do banheiro do hotel e deixar secar num varal improvisado para usar no dia seguinte.



A Emirates Airlines é a única em meu conhecimento que ainda mantém um pouco do glamour de outrora.
Até 2016, a companhia aérea realizava todo ano um Open Day no Brasil para conseguir candidatas a comissária de bordo. Você só precisava dominar o uso do salto alto e além do português, falar fluentemente mais dois idiomas. 
E não era necessário ter o certificado de curso de comissário, como é exigido no Brasil.

Bons tempos.



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